A Flor e o Tempo

O tempo passa, e passa rápido. Quando menos esperamos, em um leve suspiro, as pétalas da flor a nossa mão voam, pra um lugar lá longe, pra longe de nós, mas lá, onde esta cair, parte de nós cai junto e ultrapassa limites que jamais esperaria ultrapassar.

E daí, quando olhamos pra flor sem aquela pétala, percebemos que ela é linda, mais linda que antes, pois nela há tudo aquilo que a pétala que voou buscou lá ao longe, e está flor cresceu, brilhou, e nos provou de que pra sermos completos não é só manter as pétalas inteiras coladas a nós, e sim fazê-las experimentar, é amá-las e aproveitar o mundo que podemos aproveitar, e tentar melhorá-lo aonde quer que passamos.

Sonhamos ou deveríamos ter sonhado?

Graças aos sonhos somos mais ricos ou mais pobres, temos uma necessidade a mais ou a menos. E acabamos por ser guiados, em plena luz do dia e mesmo nos momentos mais serenos do nosso espírito desperto, um pouco pelos hábitos impostos por estes.
Imagine alguém que em seus sonhos tenha voado muitas vezes e que logo quando começa a sonhar passa a ter consciência da sua capacidade de voar, como um privilégio seu, até como de uma felicidade só sua e invejável.
Aí então, essa pessoa julgará poder realizar, com o mais leve impulso, toda espécie de curvas e desvios, conhecerá a sensação de uma certa leveza divina, de um "para cima" sem esforço e tensão, de um "para baixo" sem queda e humilhação - sem peso!
Portanto, como é que a pessoa com tais experiências e hábitos de sonho não havia de acabar por encontrar, para o dia claro, a palavra "felicidade" com cor e significado diferentes? Como não havia ela de ansiar pela felicidade de maneira diferente? A "elevação", como a descrevem os poetas, comparada com este "voar", seria para ela, necessariamente, demasiado terrena, muscular, violenta; demasiado "pesada".
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