Apagão quase nacional

Quem mora em um dos 10 estados brasileiros ou no pedaço paraguaio atingidos pelo apagão da madrugada entre os dias 10/11 e 11/11/09 (data sugestiva para os supersticiosos de plantão), sentiu na pele como é voltar à idade das trevas e ver-se obrigado a assistir o mundo no breu das velas, lanternas (quem quer contextualizar ainda mais, pense "lamparina" ou "tocha") e cia ltda. Itaipú parou, vixe, demorou, até que fizemos um bom tranalho nela, apesar de toda a roubalheira, desvio de verba e uma grande sacanagem com nossos companheiros paraguaios, ao qual o povo brasileiro não deveria se orgulhar, é claro.

Mas, em eventos como esses, surgem coisas, coisas que até certo ponto surpreendem(negativamente), e que contradizem o bom senso, a dignidade e qualquer outro valor indecentemente exibido e ovacionado pela nossa bela nação em seu hino nacional ou em qualquer outro discurso nacionalista que podemos presenciar por aí. É maternidade, que sabe-se lá porque raios e motivos(e espero que descubram), não tem gerador, pondo em risco a vida de 6 bebês, precisando da ajuda da emissora regional de televisão.

A vergonha nacional chega ao ponto de tornar mais aceitável a punição por "vagabundagem" de mendigos (levando-os à prisão, sem questionamento, "vai pra jaula, animal!") do que a punição por assalto (e assim eu o chamo!) do dinheiro público enviado à saúde pública de um município que presta auxílio à toda a região (não levando-os à prisão, pra quê questionar? "eles são ricos mesmo). Ricos, as famílias mais ricas da cidade, roubando, assaltando, de quem? Dos pobres que usam serviço público de saúde. Ooo vergonha nacional. Como que se desenrolam situações como essa? Hum, daqui há alguns anos, esqueceremos a pasta do processo sabe-se lá na gaveta de quem.

A questão principal é, até quando aceitaremos essa inversão de valores? Dinheiro vale realmente mais do que a vida de milhares de pessoas? Enquanto muitos morrem pelo planeta por guerras financiadas por puro interesse financeiro, nós aqui nos contetaremos com prisão à mendigos para que eles não incomodem nossa visão egocêntrica de uma cidade "limpa"? Nossos "pobres" são tão desprezíveis ao ponto de não precisarmos dar dinheiro para a saúde pública deles?

Pensemos um pouco, a vida não deveria valer tão pouco. Dinheiro é passageiro e irreal, mais do que a própria vida. Valorizemos-a um pouco mais.
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