Um conto sobre experiências pessoais e uma utopia que pode ser que só exista na cabeça perversa e profana de seu autor. Mas ainda assim, vinculada a fantasias um tanto distantes da objetivação, mas ninguém é forte o suficiente pra se recusar a sonhar, ninguém pode negar seus desejos e muito menos ignorá-los.
Um conto até então sem fim, talvez prolonguemos por mais partes, talvez caia no esquecimento. No amanhã ninguém confia, e ninguém enxerga.
Aceito sugestões de título e de conteúdo.
Sem mais,
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- Maaaano, joga isso logo antes que saia pela culatra!!
- Calma, rapaz! Senão não acerto nem fodendo.
- Puta que pariu, é tão difícil jogar? Me dá isso aqui.
- Sai pra lá, senão piora de vez. Sossega o facho
Em um leve som da garrafa cortando o vento, e o silêncio angustiante dos segundos que antecederam a explosão, os amigos olhavam estonteados pra saber o que de fato aconteceria.
A parábola traçada em destino ao alvo foi perfeitamente calculada, assim como o tempo exato em que atingiu o chão, e em uma descarga sonora com fragmentos de vidros incandescentes, os olhos de ambos lacrimejam em uma mistura de satisfação, terror e realização.
* E eis os personagens principais
O plano começou há certo tempo, incontentes com muitos, enraivecidos pelas condições. A história caminha, mas sempre caminha de maneira árdua e cansativa. Dificilmente pensando em todos, dificilmente ampliando os horizontes. Quem ditam as regras não são eles, sequer quem dita pensa neles ou em quaisquer de seus iguais.
A princípio era só a conversa, a discussão e a tentativa de ampliar os contatos e o grupo específico que tentava lidar com esse tipo de problemática. Mas as coisas vão crescendo, um tumor não fica quieto no seu canto por muito tempo. Até certo ponto, parecia que no papo funcionaria, que alguma coisa mudaria, mas a enrolação cansa a cabeça até dos mais pacientes. E então, as idéias surgem, tornam-se fantasias, e os contos vão criando corpo. E só de brincadeirinha os amigos conversam, riem e fingem que estão apenas idealizando.
Nas salas de reuniões, sempre com um número pequeno e rostos repetidos, as questões eram postas na mesa, e o debate rolava solto, sempre a procura de alguma solução ou alguma proposta. Um ou outro tirava seu dia pra cobrar de alguns, ser enrolado por outros, e no final, o saldo estava sempre no zero.
Para Cleber a coisa era séria, assunto delicado e mais importante do que qualquer outro. Participava de tudo, veemente, cego. Briguento e teimoso seguia na sua tentativa de fazer a diferença. Um rapaz digno de respeito, corajoso e brilhante. Mas, esmurrava as pontas das facas e tinha toda sua mão quebrada e rasgada pelas lamúrias da vida, e ainda assim, jamais desistiu, e sequer desistiria.
Já teu amigo Roberto, parceiro de baladas, encontros, reuniões e lutas, é um pouco mais arretado, odiado por muitos, aceito por poucos, amado por alguns. Sem muita trava na língua, e muita coisa pra falar, ele arranja encrenca por onde passa. Afinal, são poucos os que estão preparados pra ouvir, e menos ainda os que entendem sua agressividade. Mas, fiel aos seus pensamentos, se posicionava diante de qualquer um, gigante ou não, e de peito estufado se declara na multidão sem medo nenhum de qualquer retaliação. E pode ter certeza, o plano, de início, quem o levou a sério, de fato foi Roberto.
Ambos, como qualquer estudante, encontram muita coisa pra preencher o tempo, seja com os estudos dados em aula, os trabalhos (os malditos trabalhos), grupos de estudos diversos, as próprias atuações representativas discentes, e tudo o mais que uma bela vida acadêmica pode proporcionar. De mulheres, bares, à mesas de discussão sobre política, tudo era muito bem frequentado pelos grandes parceiros.
Mas, algo os diferenciava. A iniciativa sempre era o forte de ambos, apesar da discussão sempre se prolongar um pouco além do que deveria, sempre tomavam uma decisão firme, a respeitavam e a levavam adiante até que algum resultado fosse tirado. Muitas coisas já conquistaram, seja benefícios aos estudantes, seja ficha suja tanto na academia quanto na polícia, mas jamais cederam mão de continuar à frente, e sempre de mãos dadas aos seus iguais.