Putz, lendo aí nesses últimos dias recebi muitas informações conturbadas a respeito dessa problemática.
Para mim, até semana passada, essa discussão tinha como principal argumento a impossibilidade de expressão pessoal em votações eletrônicas, não dá pra rasurar nada quando se vota por uma máquina. Mas, descobri que a bagaça vai muito além, em minha humilde ignorância permaneci muito distante desse assunto, e agora, resolvi refletir sobre. E acho que temos que explodir essa discussão pra muito além do que ela se mantém.
Então tá, primeiramente, a informação que tenho é a de que os dados das eleições (o voto dos eleitores) são armazenados e encaminhados para a contagem em disquetes, uma mídia mais do que obsoleta e insegura. Quando utiliza-se mídias para assegurar tais informações fica facilmente fraudável alguns milhares de votos, principalmente quando temos um processo eleitoral tão obscuro quanto o nosso.
Não sabemos e não temos nenhuma forma de fiscalizar [enquanto eleitores] o processo de montagem dessas urnas, o encaminhamento para as seções eleitores, nem quando encaminham para a contagem, e sequer durante a contagem temos como acompanhar juntos voto a voto. Já que tudo é feito por trás da cortina e por uma máquina.
Portanto, primeito ponto problemático das urnas eletrônicas é justamente a obscuridade do processo, que tira dos eleitores qualquer possibilidade de atuação direta no mesmo, ou seja, todo o movimento que a urna faz durante toda a eleição fica distante e escondido.
Mas a contagem pode até estar certa, mas e a eleição? A bagaça ficou tão sem fiscalização pela confiança na tecnologia que fraudar ficou "fácil". E vai além da questão das mídias, o
Conversa Afiada publicou um artigo sobre uma possível fraude eleitoral no Maranhão (
Leia aqui), e foram encontradas várias irregulares, como votações depois das 17h30min (as seções fecham às 17h) o que sugere que os próprios mesários votaram pelos ausentes (eles possuem os dados necessários na caderneta), e também uma produção a mais e sem destino de Flashs de Carga [onde "são gravados dados sigilosos como as chaves de segurança das máquinas, além dos dados pessoais de eleitores e, naturalmente, as cópias de todos os softwares usados" Osvaldo Maneschy], ou seja, todas as evidências levam a entender que a eleição foi fraudada e que isso tende a ter beneficiado o candidato que obteve a vitória, Roseana Sarney (PMDB), que ganhou no primeiro turno, com 50,08% dos votos.
Conveniente não Maneschy? Concordo nisso que o texto que escreveu para o Conversa Afiada diz. Realmente é de extrema conveniência para o partido que domina o Maranhão desde a ditadura, desde Sarney, ganhar no primeiro turno com 50,08%.
Agora pensemos na quantidade de candidatos que ganharam com margem tão pequena? Bela São Paulo, o querido Alckmin, tucano, (e sim, isso foi irônico), com 50,63%. Acre com vitória petista (50,51%), Tocantins Siqueira Campos, tucano, com 50,52%. Isso que só contei os 50%, ignorei os com 51% pra cima.
A tecnologia nos oferece grandes avanços e realmente acho importante o desenvolvimento desta. Mas, a priori temos que ter a consciência de que ela não é a salvação por si só, precisamos da atuação do homem em todos os âmbitos, pois é o homem o regulador dessas máquinas. E assim como podemos utilizar a tecnologia para um lado positivo à humanidade, também podemos utilizar para fins de corrupção e fraudes, e infelizmente estamos acostumados a enxergar com mais frequência a segunda opção.