Procura-se a Universidade Pública
As vezes eu me supreendo com algumas inocências que sempre expressamos no cotidianos.
Sabe aquela coisa de Universidade Pública, para todos, academia com função social, investimentos equitativos em extensão, pesquisa e ensino, laica, espaço da contra cultura... e outras coisas mais que todos sempre pensávamos e que sempre ouvimos os belos contos sobre a luta estudantil durante a ditadura militar. Então, se a gente sabe e já ouviu falar dela. Cadê ela? Olha que estou procurando por mais de 3 anos e não consegui achar. Se alguém encontrá-la por aí, por favor encaminha-a aos seus respectivos campus, porque a galera tá sentindo falta.
Durante a ditadura a universidade era um escudo, espaço onde polícia não entrava, estudante fazia barulho e os veiaco reacionários, querendo ou não, escutavam. Hum, estudante também se divertia, fazia festa, quebrava antigas regras, se punha como jovem transformador, apontando para todos e gritando para o mundo dizendo que quando eles assumissem o poder enquanto geração, as coisas seriam diferentes.
E são? Poxa vida, acabou a ditadura, e com ela o sonho do jovem de fazer a diferença. Os espaços universitários se fecharam, a polícia agora entra na faculdade, e não só isso, também usa seus belos instrumentos de coerção, cassetetes, armas de fogo, armas de fator psicológico e tudo mais que nosso belo sistema constrói pra promover a tão sonhada segurança pública. E não é só a polícia não, a construção ideológica burguesa vai tomando conta, sinônimo de jovem rebelde hoje é aquele que grita com os pais e fala que vai cometer suicídio, mesquinhos, egoístas. Ser comunista virou piada, ah é, isso não mudou - ainda. Grandes empresas chegam pelos espaços de pesquisa, pagam uma graninha e exploram mentes juvenis, inocentes e baratas, mas a patente é deles. O reitor eleito não é oficializado, o governador manda mais que os estudantes, e poxa vida, que porrinha de governador que SP foi arranjar né? Nem pra escolher um decente.
Hê, mas vá lá, de um governador do PSDB já é esperado tanta tosquice. Mas, o cerco vai fechando dentro da própria universidade, vão-se criando portarias restritivas. Não pode fazer festa dentro do campus, não pode ficar depois das 23h15min, não pode, não pode e não pode. Publicidade semanal, da própria diretoria, sobre missas católicas, e a restrição do espaço para se tratar de assuntos políticos. Tudo tão errado, o espaço da universidade deve ser vivido integralmente, seja em eventos religiosos, políticos ou o que quer que seja, esse espaço deve existir sem a intervenção e a preferência mesquinha da diretoria.
Agora me aparece a mais nova, simplesmente não pode mais colar cartaz fora dos lugares que esses mesquinhos nos deixem colar. Só nos murais, "oh moleque, cola aqui, aqui não porque eu não deixo, mas aqui pode.", e não só isso, só pode os cartazes que eles aprovarem. O quanto eles pensam que essa geração é troxa? Iremos nos condizer a essas condições infames de controle? Daqui a pouco a coisa cresce. Mais do que 5 estudantes conversando baixa o guarda ali, revista a galera, dá umas porradas, e dipersa todo mundo. Se tiver falando de política, vixe, vai pra diretoria levar bronca e bilhetinho pra mãe assinar. Se tiver lendo livros 'subversivos' chama o Major lá pra levar pra cadeira dos angustiados. Se colar uma porra de um cartaz que eles não gostam de ler em um lugar que eles não querem que esteja, sindicância! Porque moleque estudante não tem o quê fazer a não ser ouvir o professorzinho e acreditar em tudo o que ele fala, moleque estudante não tem espaço pra colaborar com a produção acadêmica. Eu digo o contrário, moleque estudante tem que contradizer as regras desses malditos professores, doutores sem capacidade de superação, doutores presos a uma realidade insana, de abuso de poder, controle excessivo e incapacidade de construir um lugar melhor, com uma educação mais qualificada, e um papel social digno para valermos do gasto público que geramos, que, por sinal, saem dos bolsos de cada indivíduo de cada comunidade que tem por aí.
Disseram que acharam nossa bela unversidade dos sonhos, está por aí, rachada e dividida entre todos os estudantes que caminham dentro do espaço que ela deveria ocupar. Os campus estão repletos de pequenas partes da universidade pública, em cada palma da mão de todos nós estudantes. Mas essas partes separadas jamais se reerguerão sozinhas, precisamos uní-las e recriar seus vínculos, remontarmos o quebra cabeça. E quando a figura ficar completa, quem sabe, conseguiremos fazer alguma diferença.
Sabe aquela coisa de Universidade Pública, para todos, academia com função social, investimentos equitativos em extensão, pesquisa e ensino, laica, espaço da contra cultura... e outras coisas mais que todos sempre pensávamos e que sempre ouvimos os belos contos sobre a luta estudantil durante a ditadura militar. Então, se a gente sabe e já ouviu falar dela. Cadê ela? Olha que estou procurando por mais de 3 anos e não consegui achar. Se alguém encontrá-la por aí, por favor encaminha-a aos seus respectivos campus, porque a galera tá sentindo falta.
Durante a ditadura a universidade era um escudo, espaço onde polícia não entrava, estudante fazia barulho e os veiaco reacionários, querendo ou não, escutavam. Hum, estudante também se divertia, fazia festa, quebrava antigas regras, se punha como jovem transformador, apontando para todos e gritando para o mundo dizendo que quando eles assumissem o poder enquanto geração, as coisas seriam diferentes.
E são? Poxa vida, acabou a ditadura, e com ela o sonho do jovem de fazer a diferença. Os espaços universitários se fecharam, a polícia agora entra na faculdade, e não só isso, também usa seus belos instrumentos de coerção, cassetetes, armas de fogo, armas de fator psicológico e tudo mais que nosso belo sistema constrói pra promover a tão sonhada segurança pública. E não é só a polícia não, a construção ideológica burguesa vai tomando conta, sinônimo de jovem rebelde hoje é aquele que grita com os pais e fala que vai cometer suicídio, mesquinhos, egoístas. Ser comunista virou piada, ah é, isso não mudou - ainda. Grandes empresas chegam pelos espaços de pesquisa, pagam uma graninha e exploram mentes juvenis, inocentes e baratas, mas a patente é deles. O reitor eleito não é oficializado, o governador manda mais que os estudantes, e poxa vida, que porrinha de governador que SP foi arranjar né? Nem pra escolher um decente.
Hê, mas vá lá, de um governador do PSDB já é esperado tanta tosquice. Mas, o cerco vai fechando dentro da própria universidade, vão-se criando portarias restritivas. Não pode fazer festa dentro do campus, não pode ficar depois das 23h15min, não pode, não pode e não pode. Publicidade semanal, da própria diretoria, sobre missas católicas, e a restrição do espaço para se tratar de assuntos políticos. Tudo tão errado, o espaço da universidade deve ser vivido integralmente, seja em eventos religiosos, políticos ou o que quer que seja, esse espaço deve existir sem a intervenção e a preferência mesquinha da diretoria.
Agora me aparece a mais nova, simplesmente não pode mais colar cartaz fora dos lugares que esses mesquinhos nos deixem colar. Só nos murais, "oh moleque, cola aqui, aqui não porque eu não deixo, mas aqui pode.", e não só isso, só pode os cartazes que eles aprovarem. O quanto eles pensam que essa geração é troxa? Iremos nos condizer a essas condições infames de controle? Daqui a pouco a coisa cresce. Mais do que 5 estudantes conversando baixa o guarda ali, revista a galera, dá umas porradas, e dipersa todo mundo. Se tiver falando de política, vixe, vai pra diretoria levar bronca e bilhetinho pra mãe assinar. Se tiver lendo livros 'subversivos' chama o Major lá pra levar pra cadeira dos angustiados. Se colar uma porra de um cartaz que eles não gostam de ler em um lugar que eles não querem que esteja, sindicância! Porque moleque estudante não tem o quê fazer a não ser ouvir o professorzinho e acreditar em tudo o que ele fala, moleque estudante não tem espaço pra colaborar com a produção acadêmica. Eu digo o contrário, moleque estudante tem que contradizer as regras desses malditos professores, doutores sem capacidade de superação, doutores presos a uma realidade insana, de abuso de poder, controle excessivo e incapacidade de construir um lugar melhor, com uma educação mais qualificada, e um papel social digno para valermos do gasto público que geramos, que, por sinal, saem dos bolsos de cada indivíduo de cada comunidade que tem por aí.
Disseram que acharam nossa bela unversidade dos sonhos, está por aí, rachada e dividida entre todos os estudantes que caminham dentro do espaço que ela deveria ocupar. Os campus estão repletos de pequenas partes da universidade pública, em cada palma da mão de todos nós estudantes. Mas essas partes separadas jamais se reerguerão sozinhas, precisamos uní-las e recriar seus vínculos, remontarmos o quebra cabeça. E quando a figura ficar completa, quem sabe, conseguiremos fazer alguma diferença.

